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13 de julho de 2007

Dadivosa

Momentaneamente sozinha em casa.
Em paz, ouço um cd que eu mesma gravei, com músicas diversas da Ana Carolina.
Aquele vozeirão que me encanta. Fortaleza que fala de feminilidades.
E eu estou numa paz que há muito não via, ou vivia.
Com nêuras (sempre!), mas com calma (quase nunca!) pra me desdobrar, me debulhar pra mim mesma.

Fato que eu estou buscando de todas as maneiras injeções no ego. E não tenho mais medo de revelar isso pra mim. Mesmo porquê, se eu já sei... não é mesmo?
Falta agora, aquela coragem súbita pra enfrentar quem quer que seja, pra me defender de mim. Sim, porque é difícil, quase uma prova, entender-se, suportar-se, converter-se.
E eu que pensei que eu sabia tudo... Mas não sei nada. Nem de mim, nem de você, nem dele, acredita? Tirar o gesso não é fácil como previa aquele médico.

Terapia.
Depois de anos, eu vi que preciso voltar a fazer. Aliás, todo mundo precisa!
-São aquelas horas que dizem ser a loucura necessária. Deliciosa loucura poder entender a si próprio sem maiores desastres por desequilíbrio.
Quebrar meus muros, pintar paredes, limpar os vidros, abrir passagem e usar o andador. Pra depois não ter que usar mais. Evolução é a palavra, agora.
Vícios mentais, lesões por freqüente repetição de erro. Quero limpar e jogar fora.
Poderia até colocar na estante, fazer um charme, usar de troféu, mas não. Basta-me que eu saiba que posso superá-los. E não por simplesmente não querer perder. Perder faz parte, não é? Que graça tem ganhar sempre? Eu não seria tão rígida...

Tive uma experiência desastrosa esta semana. Aliás, produtiva a semana!
É complicado lidar com o desconhecido, sem informação, com desequilíbrio.
Melhor é poder confiar confortavelmente naqueles amigos mais velhos, de mais tempo... de muito tempo, assim, tempo incalculável.




Que bom se eu fosse uma diva,
Daquelas bem dadivosas,
Que sai vida, entra vida...
Ficasse ali, verso e prosa.

Meu olhar beirando estrelas,
A provocar sinfonias...
Por todas as galerias,
Imagens da minha história...

E no instante preciso

Entre o mito e o míssil
Um rito um início
De passagem pro infinito




"Aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo.



Do que não ficava pra sempre."

4 comentários:

Lívia Possi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lívia Possi disse...

Foto: Book Modelo: Louise Rävn por ABrito - Beauty

Fê Savino disse...

Bom, vamos por partes:
Concordo muito com você em diversos pontos e fico feliz que veja as coisas desta maneira...
“Porque é difícil, quase uma prova, entender-se, suportar-se, converter-se”
Realmente é... é um desafio a cada dia que passa, mas um desafio gostoso e doloroso ao mesmo tempo. Algo que você precisa sempre tentar vencer e buscar mais e mais, pois nós mulheres somos insaciáveis...
“E eu que pensei que eu sabia tudo... mas não sei nada. Nem de mim, nem de você, nem dele, acredita?”
Ninguém sabe de tudo, por mais que tente saber... nem mesmo o cientista mais experiente sabe... ninguém sabe e está exatamente aí a beleza do viver... vivenciar coisas novas, experimentar, trocar as roupagens... claro que é complicado lidar com o desconhecido... algunas têm maiores dificuldades, outros, menores.. mas a gente vai aprendendo a lidar com elas a cada dia, cada passo, cada momento...
Isso é estar viva!!!

Bjinhos enormes de uma gigantinha para uma pequenina... huahauhau

Mariana disse...

A gente se reflete, fato!
Aí embaixo tem um poema lindo lindo, e uma senhora que se foi a um tempo, chamada Sophia de Mello Breyner Andersen, mais que pertinente, que eu estou repetindo pra mim mesma a uns dias...

ora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.