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12 de outubro de 2007

Bucaneira Dill

Peter Pan, o garoto que jamais crescerá.
Wendy Darling, a menina que vale mais que vinte mundos.
A dicotomia estabelecida é o que me move, e o que me faz acreditar.
No conto-de-fadas, na vida real.

Fadas, Sereias, Piratas. Meninos Perdidos...
Porque ser criança é possuir aquela doce espontaneidade - não inocência, necessariamente; algo que todos apostamos preservar para sobrevivermos depois que se acaba a magia. Os assombros das responsabilidades que pertencem ao mundo dos adultos são desnecessários para acreditar que para voar, bastam pensamentos felizes.
É óbvio: O que preocupa um adulto jamais perturbará uma criança.
No mundo delas, existe a privação das burocracias, que do outro lado fazem-se plenamente necessárias.

Há o tempo. O constante Tic-Tac que tanto perturba James Hook.
Há quem pergunte o que seria seu futuro se você apenas tivesse mais 2 segundos.
- O tufão de sentidos, a intensidade dos acontecimentos, o desprezo, a primeira impressão da indiferença, o contato vil da decepção?
Talvez...

Wendy, de meninices e madurezas, que possui um beijo escondido no canto direito da boca, de sorriso convidativo e lábios sutilmente rosados. Um beijo de dono certo: à ele está guardada a maior e melhor sensação de todas - Experimentará o paraíso que é concedido pelo olhar, pelo sentir. Tudo é mágica, e tudo pode encantar.
Seria um beijo para a maior aventura de suas vidas...

Pan, que teve incontáveis alegrias que outras crianças jamais terão, e que então observava, de fora da janela, a única alegria da qual fora para sempre excluído, onde Viver seria uma incrível aventura.

Ela, dada a intensidades, convicções, encantamentos.
Ele, corajoso, mas temeroso do risco, da entrega.
O amor espontâneo, de arrebatamento sutil, ávido, intenso. De faz-de-contas.
Pan não poderia amar.
Era adulto demais pra ele: constituir família, ir para a escola e depois para o escritório. Melhor era ter pensamentos bons e voar, lutar bravamente contra o Capitão e seus piratas, cuidar dos meninos perdidos, e não ter que se envolver com complexidades, já que crescer é um empreendimento bárbaro, mas cheio de inconveniências e espinhas - já avisara o velho adulto amargurado, por detrás daquele gancho.

Poderia Wendy, se tornar uma criança para o resto da vida, e jamais ter que se apaixonar, ou lavar os pratos depois do jantar. Seria uma vida de aventuras, uma vida constituída de brincadeiras, nada de culpabilidade. Viveriam de contar histórias. Mas, ser mãe daqueles Meninos Perdidos, já era aprender a viver. Simulação e faz-de-conta são complementares, ambos nos impulsionam de alguma maneira.
Se apaixonar por Peter Pan, seria um amadurecimento que ela não estava preparada pra viver... E, embora amores não tenham fim, sejam para a vida toda, há variações de intensidade, e isto reflete por toda uma vida, quer queira, quer não.

E quanto a brincar de ser adulto?
Um convite daqueles olhos azuis, e rubros de cólera: Bem vinda à Pirataria!
Ser a única pirata à bordo do Jolly Roger implicava em aprender a viver.
E viver não é para aqueles que possuem um mundo de faz-de-conta.
O que pensaria mamãe a visse como a Bulcaneira Dill?

Quanto mais Wendy tentava ter em mente seu mundo real, mais difícil ficava se desprender de um mundo de mágica, fantasias e mistérios que sua vida ao lado de Peter oferecia.

Wendy foi fada por um momento.
Fadas não são seres ruins, mas dada a pequeneza, só podem sentir um sentimento de cada vez. São bravas e capazes de dar seu brilho, em prol da lealdade que cultivam.

Mas e o mundo real? E a Naná - A melhor babá de 4 patas já vista, a Mamãe e o Papai?
O mundo que os esperava para crescerem, e ir, assim, esclarecendo o que era a vida...
Tudo devia fazer mais sentido à partir do momento que se cresce!
... e medo não deveria correr em veias pueris. Onde estaria a coragem, então?

Ora, existem vários tipos de coragem!
Um deles é deixar de sonhar por alguém.
Coragem para se deixar sentir o que se sente.
Coragem para banir amigos indesejáveis.
Coragem para ser autêntico e não deixar de seus conceitos por amar alguém.
Coragem para assumir seus feitos.
Coragem para viver, amar, sorrir, e conjugar os verbos no imperativo!

Todos merecem uma segunda chance e Pan soube aproveitar aquela que lhe foi concedida. Teve a coragem de não te pensamentos tristes, de não deixar que eles o ferissem e assim, o impedisse de voar... Teve coragem de enfrentar o Capitão Gancho por mais uma vez, e apenas deixar que seus próprios sentimentos traçassem seu destino.
- Malícia, Ciúme e Decepção, faziam parte do veneno sem antídoto que Gancho possuía sempre consigo, pra evitar que fosse capturado. Por isso diz-se morrer pelo próprio veneno, supõem-se.

Arriscar deve valer os riscos, mas pra isso é necessário vendar os olhos e caminhar na prancha – se entregar. Deve haver valoração, maturidade, faculdade.

E é por isso que meu conto-de-fadas talvez não tenha fim.
Jamais encontrei os personagens certos para minhas aventuras.
Jamais me permiti que houvesse entrega sem consciência.
Jamais me permiti errar por errar, ciente disto.

Talvez, o que eu precise, seja não acreditar e me perder.
Num dos mundos à caminho daquela Terra do Nunca.

2 comentários:

Anônimo disse...

hmm

esse texto num foi vc que escreveu, foi?
já vi ele em algum lugar, eu acho..

Victória Lara disse...

gostei bastante, continue sempre com as postagens!